O presente artigo examina a situação recente da mulher no mercado de trabalho no Brasil. É possível verificar que as desigualdades de gênero e de raça continuam caracterizando um quadro de desigualdades históricas profundas da nossa sociedade. O foco da OIT, a partir da segunda metade do século passado, passou a ser o acesso ao emprego, à formação profissional e à progressão funcional. É neste sentido que se impõe harmonizar o compartilhamento de responsabilidades entre homens e mulheres, e estabelecer um equilíbrio entre trabalhos remunerados e não-remunerados. Daí também a razão para a ênfase no trabalho doméstico, caracterizado pela invisibilidade, sobretudo o exercido por mulheres negras na casa de outrem.

A conclusão a que se chegou é que existe uma hierarquia da exclusão, em que a discriminação de gênero é maior ainda que a de raça, sendo que a própria remuneração não é condizente com os níveis de escolaridade. Destaque-se, aliás, o papel do Serviço Público, como fator relevante da equalização de oportunidades. Paralelamente, não se deve negligenciar a profunda e acelerada modificação da estrutura familiar no Brasil e o número crescente de mulheres chefes-de-família. Essas mudanças são reforçadas pelas atuais condições de vida urbana. De toda a maneira, não se pode abrir mão da intervenção do Estado, com a adoção de políticas públicas que minimizem as distorções apontadas e visem eliminar as injustiças, de forma mais rápida e sem a imposição de mais sacrifícios desnecessários.

 

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