A abertura de créditos adicionais, pela própria natureza do processo orçamentário, é um mecanismo que permite ao gestor certa adaptabilidade à dinâmica das demandas sócio-econômicas. Entretanto, eventuais abusos na sua utilização podem vir a alterar sua natureza transformando-se em um meio hábil para burlar o controle legislativo e social sobre as prioridades a serem atendidas. Desta forma, uma análise das alterações do orçamento ao longo da execução orçamentária pode trazer à tona um desvirtuamento do instrumento e uma afronta à prerrogativa parlamentar de adotar mecanismos de controle e definir prioridades. Esta pesquisa, de caráter exploratório e descritivo, se desenvolveu com vistas a apurar, tanto qualitativa quanto quantitativamente, a utilização dessas práticas no período de 2002 a 2008. Foram considerados, para tanto, todo o volume de alterações via abertura de créditos adicionais e a relação entre essas alterações e as prioridades estabelecidas. Tais análises propiciaram a detecção de que há uma crescente utilização dessas práticas, e não há relação clara entre sua utilização e o atendimento às prioridades estabelecidas durante os longos meses de discussão por que passam, anualmente, as matérias orçamentárias.
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