Este artigo explora aspectos negligenciados para a compreensão da atual crise econômica mundial. Frente a ausência de controles estatais, novas tecnologias de comunicação permitem a criação de moeda nova em uma velocidade que tende para infinito. Esta é uma conseqüência da velocidade de nanosegundos da circulação da moeda por depósitos interbancários, lançamentos de derivativos e compras com cartão de crédito.
A incapacidade dos estados nacionais de controlarem o volume e a velocidade de circulação da moeda produzida por outros agentes resulta em sua recente fragilização histórica. A presente crise de liquidez não resulta de uma baixa oferta de moeda no sistema econômico, mas da ausência de moeda útil para a economia real. Por isto a injeção de moeda nova no sistema financeiro, sem concomitantes medidas de redistribuição de renda, deverá apenas agravar a crise. O excesso de liquidez está associado aos recentes níveis elevados de concentração de renda nos países desenvolvidos. A acumulação contribui para o encharcamento da economia por moeda inútil para as famílias e para a produção. Ela é emprestada e os próprios empréstimos ocasionam um processo de hiperconcentração de riqueza. Com o tempo, os não produtores de moeda não conseguem pagar – com o seu trabalho e suas mercadorias – pela nova moeda, necessária para manter o sistema econômico em operação. A única saída é a proteção da sociedade contra a “relíquia bárbara” por meio da nacionalização do setor financeiro e pelo controle estrito dos fluxos internos e externos de capital.
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