O papel das construções míticas, servindo como pano de fundo para a interpretação das plataformas e das decisões dos políticos, tem sido pouco explorado na literatura mais recente de ciência política. Este trabalho procura retomar essa vertente, examinando os esforços do governo Lula para edificar uma mitologia do Presidente e para explorar um aparato produtor de sentido que a divulgue e lhe dê densidade. Procura delimitar o que é acidental e o que é intencional nessa construção e estabelecer até que ponto seus elementos são exclusivos do lulismo. Também é discutido o efeito de algumas crises enfrentadas pelo governo sobre o amadurecimento do mito, especialmente a recente crise financeira internacional, e a exploração do anúncio do pré-sal para alavancar sua divulgação.

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