Não era sempre que lhe dava aquela vontade destrambelhada. Hoje acordara desejando ser feliz. Pelo menos hoje.
O que era para si a felicidade? Dinheiro e poder? Fama? Títulos? Juventude? Aceitação? Que prazeres, grandes ou pequenos, voluntários ou não, asseguravam-lhe que o mundo era um bom lugar, onde podia encontrar, cada qual a seu tempo, o acumular e o despojar, a paz e o desafio, a solidão e a boa companhia, a ida e a volta desobrigada? Naquele momento, tinha apenas a certeza de que de que, para ser feliz, era preciso livrar-se dos acúmulos do passado. Prosaicamente, a felicidade exigia que começasse pelas gavetas entulhadas de inutilidades. Dispôs- se à faxina.
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