Os consultores legislativos redigem minutas de discursos, pareceres ou leis para os mais variados partidos e parlamentares. Por dever de profissão, põem-se a serviço ora de uma, ora de outra ideologia. Gosto desse exercício. Contudo, a articulação de argumentos convincentes
para políticos de orientações opostas ressalta o problema do confronto de nossa consciência ética, cívica e profissional, por um lado, com os ditames de nossa obrigação funcional, por outro. Digamos que um consultor contrário à pena de morte seja designado para
escrever a minuta de um discurso, projeto de lei ou até estudo francamente favorável à dita cuja. Não existe ciência - nem mesmo ciência jurídica - neutra, e um estudo sobre os benefícios da pena capital trará resultados diversos de um estudo encomendado para ressaltar os malefícios dessa punição. Concentremo-nos, porém, nos “cientistas”: os consultores que, a partir de um conhecimento prévio, produzirão textos com valor de verdade, ou seja, textos capazes de se articular, sem muita contradição, com outros textos considerados verdadeiros.
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