Este trabalho discute a atual elevação dos preços dos alimentos no mundo e suas repercussões em diferentes contextos nacionais. No Brasil, o atrelamento dos preços dos alimentos ao mercado internacional diminuirá a procura por bens industrializados, pois os consumidores preferirão se alimentar a consumir. Há, por isto, que se combater preço de alimentos e não enfrentar uma abstração - a taxa de inflação -, por intermédio da elevação da taxa de juros, como se todos os preços se comportassem por igual na economia. A elevação da taxa de juros fará diminuir o preço dos produtos industrializados, enquanto durarem os estoques, para que em seguida esses preços também subam devido aos oligopólios que infestam a economia brasileira. Assim, a elevação da taxa de juros fará elevar os lucros já espantosos do setor financeiro e, devido aos seus reflexos no câmbio, agravará a tendência a se reverter as condições favoráveis das contas externas. A aposta política é a de que a “corrente da felicidade” que associa juros altos, inflação baixa e real apreciado perdurará até após as próximas eleições presidenciais, como aconteceu com a desvalorização tardia do Real que viabilizou a reeleição em 1998.
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