Os pobres eram, nas sociedades estáveis e hierárquicas de antigamente, induzidos a aceitar sua vida de privações, acreditando nos preceitos religiosos que ensinavam a submissão e o sofrimento como passos indispensáveis à conquista do paraíso. Embora um camelo não passasse pelo buraco de uma agulha e um rico não entrasse no reino dos céus, preferiam esses ingratos, quase sempre, a riqueza à felicidade no outro mundo. Aos pobres, não restavam muitas alternativas, sendo a mais comum a consolo de sua atual penúria pela convivencia futura com anjos harpistas em nuvens de algodão.
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